
- Download
#06 - St. Vincent - Strange Mercy (4AD Records)
- Download
#06 - St. Vincent - Strange Mercy (4AD Records)
Marcelo Jeneci. Saudoso Marcelo Jeneci. Quase um Camelo (Marcelo). Por hora, um rapaz boa praça com um disco solo bem promissor. De vez em quando um músico “feito pra acabar”. De hora em vez, eterno com aqueles assobios. Cria de Arnaldo Antunes, Chico César e Zé Miguel, Marcelo Jeneci vem com toda uma bagagem que é irremediavelmente transposta em seu primeiro trabalho; o hipônimo “Feito Pra Acabar”. Marcelo Jeneci; um compositor a serviço do regresso à beleza e leveza da Música Popular Brasileira. Quiçá um dos últimos fios de esperança. Seu disco “Feito Pra Acabar”, tratado como um dos principais elos entre a jovem e velha guarda da MPB detém uma multiplicidade tamanha que, às vezes, nos trás o estarrecedor, precoce e velho Little Joy de Amarante, Moretti e Cia subordinado a influência da música nordestina presente nos acordes de sanfonas e no tímido uso do triângulo. Tudo isso sem perder a leveza, simplicidade e identidade de suas composições. Acompanhado, ainda, da linda, doce, gostosa e idealizada Laura Lavieri; fantástica cantora/compositora que acompanha Jenéça (para os íntimos) em seu trabalho. “Feito Pra Acabar” reverbera flores, ares felizes, inspirações, amores... transparece bem querer, evoca carinho e apreço. Causa uma sensação impar, intencional, carregada de mimos. O Jeneci tá de parabéns e muito merecidamente. Digníssimo. Maravilhoso “Feito Pra Acabar”.
- Download


Depois do excelente “The March of Zapotec” e do patinho feio “Realpeople – Holand”, Zach Condon extrapola, de novo em “The Rip Tide”; novo compacto do folker boa praça e cérebro do Beirut. A genuinidade do “The Flying Club Cup” que havia se perdido desde o “Gulag Orkestar”; melhor disco deles, em minha singela opinião, finalmente retorna num disco que homenageia, até sua cidade natal em “Santa Fe” - título do single e homônimo de sua cidade. Pois é, o Beirut voltou. E voltou com as mesmas cornetinhas determinantes e essenciais em toda a obra, com as sanfonas em demasia e com o vocal ora cabalístico, ora tímido, mas sempre intimista e conciso no que diz respeito à importância trivial de toda a estrutura do grupo. Houveram muitas críticas em relação à ordem das músicas e ao tempo de duração da audição do disco. Quanto à ordem das musicas no disco, nem me atrevo a opinar. Porém, quanto ao tempo de duração do compacto é necessário entendermos que, tudo que é bom, dura pouco. O ditado é clichê e bem pobre, mesmo. Mas clarifica toda a indagação quanto à rapidez com que passa o “The Rip Tide”. Acontece que o compacto em questão é tão belo e sereno que escutamos sem preocupação alguma e, quando nos damos por nós, o disco já acabou. O belo está no simples, afinal. Em contra posição às mesmas críticas anotadas ao “The Rip Tide”, podemos citar o extenso “Illinois” de 22 faixas do Sufjan Steves; outro compositor norte-americano da mesma patota de Zach. Discos mais demorados que esse só mesmo os do Rogers Waters e cia. É que, não obstante à tudo o que se ponderou aqui, há discos de excelência indiscutível por aí, só que tão extensos que se tornam enfadonhos. Contudo, as nove faixas de “The Rip Tide” externa pela milésima vez a essência do Beirut e acaba com a angustia de um hiato necessário para que Zach jogasse fora de vez as pick-ups do último EP e voltasse a fazer folk music de verdade. Excelente “The Rip Tide”, excelente por regra, se tratando de Beirut e previsivelmente excelente se tratando de Zach Condon.
- Download
A única coisa que sei sobre esses caras é que são alcoolatras, noruegueses e que o baterista; que, toca pra burro, é fã de Motorhead. Então, eu achei esse compacto meio que na cagada, aqui. Peguei um monte de discos com um amigo meu há um tempo atrás. No começo do ano passado... Quando olhei, de primeira eu achei a capa bem legal, daí pensei que era um folkzinho clichê desses que escuto aqui e tal. Quando pus pra ouvir, logo de cara, já escutei um grito furioso do pessoal, parecendo ecoar o nome da banda: Kvelertak! Coisa de adolescente, mesmo. Mas que disco legal de escutar, Deus me livre. As guitarras são tão consistentes que ofuscam quase que por completo os guturais furiosos do vocalista; um barrigudo meio de mal com a vida. O auge do disco chama-se “Blodtorst” e “Offernatt”, ambas bem no meio, mesmo. Com solos abusivos e as guitarras mais pesadas que eu já vi na face da terra. O álbum todo, a todo o momento, instiga você a xingar enquanto escuta. Mas se bem que, os sons da Noruega e da Alemanha costumam ter a fama de serem bem headbangers, afinal. Eles abusam da melodia e o acréscimo de tudo enquanto parece não ter fim. Parece até que as músicas são infinitas e que a todo final de um refrão vem sempre algo maior pra continuar a sequência. Eu e metade da Europa ocidental não conseguimos rotular o que possa ser o som desses caras. Mas o choque e a queda pra trás ao escutá-lo é dada como certa à quase todo mundo que goste de Metal Hardcore. O que eu achei mais legal é que não nota-se pedal duplo por parte da bateria, além do mais, as passadas são rápidas, mas não breves; se estendem até o final do riff, causando assim uma enorme impressão de continuidade e empolgando ainda mais quem escuta. O primogênito da banda já vem com status de 3º ou 4º disco por sua consistência e elaboração. É digno esperar o segundo com, no mínimo, expectativa e ansiedade.
Quem nunca achou imaturo, frenético, amador e demasiadamente amador os trabalhos anteriores ao Songs For The Deaf!? E quem nunca achou que Queens of The Stone Age realmente fosse exatamente e escrachadamente o citado há pouco? Ou que talvez, antes da imaturidade do Queens jazesse por trás a imaturidade da Stone Music como vertente? E que talvez, ainda, a Stone Music seja a abordagem musical que mais se aproxima do lendário Grunge de Seattle que bandas pertencentes ao G4 da época teimam em tentar revive-lo sem êxito algum, como o Soundgarden de Chris Cornell e cia, Alice in Chains e por aí vai. Pois então, o fato é que Queens of the Stone Age, Kyuss, Eagles of Death Metal, Corrosion Of Conformity e outras bandas ícones do Stoner Rock não seriam essas mesmas tais bandas sem a testosterona, o amadorismo e a imaturidade presentes em quase que todas suas obras. E a quem ache péssimo o que eu digo aqui: ouça o “Rated R”. Quer disco mais amador que aquele? Em contraposição, o sentimento e as notas encaixadas no lugar certo, mesmo que repetitivas tornam um dos melhores, quiçá o melhor disco da banda. Eu adoro Queens of The Stone Age e o que seria defeitos em outros artistas, neles são qualidades e características indissociáveis ao sucesso do grupo. Logo se abstendo a todos esses rótulos, eis o Era Vulgaris. Disco retratante quanto à velhice de Josh Homme vem com peso e bem mais elaborado no que diz respeito à harmonia instrumental. As músicas estão mais carregadas e menos dançantes, é digno... Porém bem menos repetitivas e menos “garage”, também. Eu, particularmente, gosto mais da “Misfit Love”. Pra mim é a música que dita toda a temática do disco, e sempre começo a ouvir o álbum por ela, seguida de “River in The Road”. Contudo o término é excelente com “Sick, Sick, Sick”, single do disco e “Turning on the Screw” pra fechar. É óbvio e delusório que quase ninguém consiga gostar de Queens começando por esse álbum. Por isso, é conveniente escutar o Lullabies to Paralyze primeiro, pra amaciar e tal. O processo de audição dos discos do Queens funciona de forma bem gradativa, mesmo. Tem que ter paciência e, principalmente o ouvido refinado.
- Download

A respeito do “Microcastle”, o psicodelismo pós-moderno come solto junto à abordagem meio que experimental presente em todos os trabalhos do grupo. Os vocais; hora femininos, hora masculinos, são sutis e intimistas. A coisa com os efeitos das guitarras e dos sintetizadores também é bem expressiva, sabe? Bem psicodélico mesmo. Há quem diga que não, mas eu acho esse disco a cara do Rogers Waters. Eu peguei o "Microcastle" por indicação de um amigo meu e detestei , logo de cara. Cheguei até a exclui-lo aqui do HD. Então eu vi a “Nothing Ever Happened” em um seriado de TV. Levei um susto quando descobri que se tratava da mesma banda que eu tinha jogado fora a uns meses atrás. Desde então, viciei nesse disco. O único do grupo que gostei, diga-se de passagem. Pois então, a temática aqui é simples: Basicamente baseia-se em efeitos psicodélicos e experimentais que dão vazão a todo o trabalho. Ao contrário de outros, nesse álbum, para se gostar de primeira, é preciso acertar na audição. Recomendo então que comecem ouvindo por: “Agoraphobia”, seguida por “Never Stops” e "Nothing Ever Happened”; essa última, citada agora a pouco. No mais é isso. Ouvir o “Microcastle” é muito difícil e mais da metade das pessoas que conheço não gostaram na primeira audição. É que o “Deerhunter” é pra se gostar depois de um tempo, mesmo. Você escuta a primeira vez, odeia, escuta da segunda, socializa, escuta a terceira e ama. Que nem John Frusciante.
- Download