That Neither Danielle
Pseudoreviews de uns discos legais. Por Paulo Henrique
Fogo Amigo - Casa, Cordas e Alguns Geradores
Bon Iver - Bon Iver

Lembro como se fosse hoje, os meus amigos – grande parte deles – me recriminado solene e deliberadamente pela ausência desse disco no rancking dos 13 do ano passado: “Que isso, cara. Como você não inclui o do Bon Iver e tal...?” Passei uns quatro meses provando o gosto amargo de meu arrependimento até conseguir acordar novamente com inspiração pra escrever sobre algo. Eu tinha escutado esse disco inteiro na noite anterior até adormecer. E como dormi bem... Talvez esse disco seja pra se ouvir em paz, com calma e, talvez, tivesse mesmo que estar no rancking dos 13. Nada disso importa, afinal de contas, a essência, beleza e importância de uma obra não se dão pelo o que ela é, mas sim pelo que causa a quem atinge. O Disco do Bon Iver é desses, sabe? Intimista, lindo e instigante. Assim que comecei a escutá-lo de verdade, pude perceber o tamanho da proporção de sua obra. Sim, o álbum está parecido com os anteriores. Mas quem disse que amor repetido e em demasia faz mal a alguém? Sucinto, calmo, mas também desesperador em matéria de paixão, o homônimo do artista vem carregado de bons sentimentos e boas intenções. Recomendo muito escutarem a faixa três desse trabalho antes de escutarem o disco por completo. Ela funciona como um interlúdio às coisas belas que hão de vir no decorrer da audição. E sim, me arrependi tanto por não ter escrito sobre esse álbum anteriormente, como também por ter desprezado sua essência quando fui falar do que me fazia uma pessoa melhor enquanto amante e apreciador de coisas boas. Este é meu review; tardio e simplório, mas não menos sincero e cativante.
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13 Melhores de 2011

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#06 - St. Vincent - Strange Mercy (4AD Records)Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar

Marcelo Jeneci. Saudoso Marcelo Jeneci. Quase um Camelo (Marcelo). Por hora, um rapaz boa praça com um disco solo bem promissor. De vez em quando um músico “feito pra acabar”. De hora em vez, eterno com aqueles assobios. Cria de Arnaldo Antunes, Chico César e Zé Miguel, Marcelo Jeneci vem com toda uma bagagem que é irremediavelmente transposta em seu primeiro trabalho; o hipônimo “Feito Pra Acabar”. Marcelo Jeneci; um compositor a serviço do regresso à beleza e leveza da Música Popular Brasileira. Quiçá um dos últimos fios de esperança. Seu disco “Feito Pra Acabar”, tratado como um dos principais elos entre a jovem e velha guarda da MPB detém uma multiplicidade tamanha que, às vezes, nos trás o estarrecedor, precoce e velho Little Joy de Amarante, Moretti e Cia subordinado a influência da música nordestina presente nos acordes de sanfonas e no tímido uso do triângulo. Tudo isso sem perder a leveza, simplicidade e identidade de suas composições. Acompanhado, ainda, da linda, doce, gostosa e idealizada Laura Lavieri; fantástica cantora/compositora que acompanha Jenéça (para os íntimos) em seu trabalho. “Feito Pra Acabar” reverbera flores, ares felizes, inspirações, amores... transparece bem querer, evoca carinho e apreço. Causa uma sensação impar, intencional, carregada de mimos. O Jeneci tá de parabéns e muito merecidamente. Digníssimo. Maravilhoso “Feito Pra Acabar”.
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TV on The Radio - Nine Types of Light

Beirut - The Rip Tide

Depois do excelente “The March of Zapotec” e do patinho feio “Realpeople – Holand”, Zach Condon extrapola, de novo em “The Rip Tide”; novo compacto do folker boa praça e cérebro do Beirut. A genuinidade do “The Flying Club Cup” que havia se perdido desde o “Gulag Orkestar”; melhor disco deles, em minha singela opinião, finalmente retorna num disco que homenageia, até sua cidade natal em “Santa Fe” - título do single e homônimo de sua cidade. Pois é, o Beirut voltou. E voltou com as mesmas cornetinhas determinantes e essenciais em toda a obra, com as sanfonas em demasia e com o vocal ora cabalístico, ora tímido, mas sempre intimista e conciso no que diz respeito à importância trivial de toda a estrutura do grupo. Houveram muitas críticas em relação à ordem das músicas e ao tempo de duração da audição do disco. Quanto à ordem das musicas no disco, nem me atrevo a opinar. Porém, quanto ao tempo de duração do compacto é necessário entendermos que, tudo que é bom, dura pouco. O ditado é clichê e bem pobre, mesmo. Mas clarifica toda a indagação quanto à rapidez com que passa o “The Rip Tide”. Acontece que o compacto em questão é tão belo e sereno que escutamos sem preocupação alguma e, quando nos damos por nós, o disco já acabou. O belo está no simples, afinal. Em contra posição às mesmas críticas anotadas ao “The Rip Tide”, podemos citar o extenso “Illinois” de 22 faixas do Sufjan Steves; outro compositor norte-americano da mesma patota de Zach. Discos mais demorados que esse só mesmo os do Rogers Waters e cia. É que, não obstante à tudo o que se ponderou aqui, há discos de excelência indiscutível por aí, só que tão extensos que se tornam enfadonhos. Contudo, as nove faixas de “The Rip Tide” externa pela milésima vez a essência do Beirut e acaba com a angustia de um hiato necessário para que Zach jogasse fora de vez as pick-ups do último EP e voltasse a fazer folk music de verdade. Excelente “The Rip Tide”, excelente por regra, se tratando de Beirut e previsivelmente excelente se tratando de Zach Condon.
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Kvelertak - Kvelertak
A única coisa que sei sobre esses caras é que são alcoolatras, noruegueses e que o baterista; que, toca pra burro, é fã de Motorhead. Então, eu achei esse compacto meio que na cagada, aqui. Peguei um monte de discos com um amigo meu há um tempo atrás. No começo do ano passado... Quando olhei, de primeira eu achei a capa bem legal, daí pensei que era um folkzinho clichê desses que escuto aqui e tal. Quando pus pra ouvir, logo de cara, já escutei um grito furioso do pessoal, parecendo ecoar o nome da banda: Kvelertak! Coisa de adolescente, mesmo. Mas que disco legal de escutar, Deus me livre. As guitarras são tão consistentes que ofuscam quase que por completo os guturais furiosos do vocalista; um barrigudo meio de mal com a vida. O auge do disco chama-se “Blodtorst” e “Offernatt”, ambas bem no meio, mesmo. Com solos abusivos e as guitarras mais pesadas que eu já vi na face da terra. O álbum todo, a todo o momento, instiga você a xingar enquanto escuta. Mas se bem que, os sons da Noruega e da Alemanha costumam ter a fama de serem bem headbangers, afinal. Eles abusam da melodia e o acréscimo de tudo enquanto parece não ter fim. Parece até que as músicas são infinitas e que a todo final de um refrão vem sempre algo maior pra continuar a sequência. Eu e metade da Europa ocidental não conseguimos rotular o que possa ser o som desses caras. Mas o choque e a queda pra trás ao escutá-lo é dada como certa à quase todo mundo que goste de Metal Hardcore. O que eu achei mais legal é que não nota-se pedal duplo por parte da bateria, além do mais, as passadas são rápidas, mas não breves; se estendem até o final do riff, causando assim uma enorme impressão de continuidade e empolgando ainda mais quem escuta. O primogênito da banda já vem com status de 3º ou 4º disco por sua consistência e elaboração. É digno esperar o segundo com, no mínimo, expectativa e ansiedade.










